13.4.13

Sobre descobrir-se apaixonado antes de ser correspondido

Agora que sei que quero você,
vai tudo pelos ares.

11.4.13

Ah, Carlos, você, com toda essa timidez, essa mania de falar de poesia com poesia pra poesia e pela poesia, me surpreendeu hoje. Tem coisa mais natural do que falar do aspecto mais natural do amor?, da carne, dos corpos, da cama e do chão? Conhecer seu lado sacana me fez ver que você é gente, Carlos; senti seu sangue nas veias, hoje, (eu sei, foi tarde, me perdoa), mas não me decepcionei.

Sobre O amor natural, mais um texto ao Drummond.

9.4.13

Da meia-noite às seis, é a poesia que lê você.

8.4.13

Coisa boa de se ouvir

calm down, you needn't say anything.
I already know it ('cause)
you already show it
simply by the unnatural way
your body behaves
when I'm near.

5.4.13

III: Como organizar o tempo. (ou Como praticar tortura 2)

Passe um tempo pensando sobre seus erros.
Passe outro tempo pensando sobre os motivos dela.
Passe o dobro do tempo se perguntando
por que perdeu tanto tempo pensando.

II: Como amar no século XXI

Fala pra ele tudo que ninguém sabe.
Jura amor eterno.
Vai morar com ele.
Desconhece-o aos poucos,
até não saberes com quem vives,
e, dois meses depois, separa-te.

1.4.13


perdoar-te e quebrar-te os ossos
num abraço apertado
é mais rápido e menos cansativo
do que alimentar esse rancor
que machuca bem mais a mim,
roendo-me a alma com seus dentinhos afiados.
pra quem não sabe dizer eu te amo
nem demonstrar isso publicamente
é assustadoramente romântico
pegar-se devaneando
em criar o contexto
para a boca pequena
– de fala sarcástica
e sorriso modesto –
que adora cinema
proferir aquelas falas engraçadas
dos filmes mais bizarros do mundo.

30.3.13

Nas entrelinhas

Não minta pra mim:
você acha que eu não sei
que por dentro você sente
"antes só do que ser má companhia"?

9.3.13

Extensão do poema de dois versos

Para Keila e Alberto

Que o café é cafézinho, a gente já sabe.
Mas não me venha com essas redundâncias.
Por que oferece-me café preto ou com leite?
Com leite ou sem leite, meu cafézinho é puro.
Purinho café.
Preto também, forte também, mas isso fica subentendido.

4.3.13

já dizia minha avó:
há males que vêm pra bem.
e enquanto ela fingia esse consolo, eu cá pensava:
bons no fundo são aqueles que não vêm.

poema sem pretensão de ser poesia, só uma lembrança de Angélica.

27.2.13


gente que bebe e ri de
gente que bebe e provoca
gente que bebe e briga com
gente que bebe e chora por causa de
gente que bebe e trai
gente que nem bebe e
se indigna porque
assiste a tudo isso tentando encontrar o porquê.

25.2.13

Sempre pensei que algumas palavras tivessem sentidos trocados. Maturidade e infantilidade são dois belos exemplos. Ser maduro não é oposto de ser criança: é ser sensato e pra ser sensato, a idade não interfere.

Crianças e velhos, o primeiro por não ter vivido e o segundo por ter vivido o suficiente pra saber que não deveria ter mudado, são muito mais sábios do que qualquer adulto no viver. São abusivamente sinceros, mas por que não ser? Não têm medo do erro, nem do riso do outro, nem da rejeição.
Ninguém gosta de ouvir não, mas eles não guardam rancor, não se apegam, não esperam nada do outro, não o julgam, não exigem nada além do que aquilo que dão e geralmente não recebem: carinho e atenção.
Adultos é que são infantis (e moralistas, estão sempre exigindo dos demais a postura madura que eles mesmos não têm!). Não veem as coisas como elas são, só como lhes parece ou convém. Triste, não?


12.2.13

Fim de tarde com amigos e
um pouco de bebida noite adentro.
Duas doses de tequila e a nova amizade se tornou antiga e firme:
deitou-me sobre seu colo e ficamos ali,
congelados no tempo e no espaço.
e entre uma carícia e outra,
eu só me perguntava se a bebida havia revelado nossos gostares ou nossas carências.

31.1.13

Esses últimos janeiros
marcados sempre por tristezas
cá, ali ou do outro lado do mundo.
e esse assombro todo
só me faz pensar:
por que é que a gente nunca se prepara?
(e quando a morte vem:)
por que é que a gente não se acostuma?
deve ser pra não morrer de angústia,
mas se não morre junto, é porque já se acostumou.

26.1.13

E eu te pergunto:

De que te serve saber onde quer chegar e não saber como?
ou:
De que te serve ter todos os meios pra ir a qualquer lugar se não sabe aonde vai?

22.1.13

Conversa que (ainda) não tive com Carol

Sabe por que é que ele disse que o seu sorriso foi a primeira coisa que reparou em você?
Não quis ser respeitador, não.
Ele foi muito do sincero, isso sim.
Sorriso encantador que nem esse é difícil de achar, moça.
Mais dissimulado e manipulador que os olhos de Capitu.
Não se deixe enganar pelos seus complexos.
E mantenha as madeixas avermelhadas que lhe caem muito bem.

16.1.13

I: como praticar tortura.

chibatadas?
choques?
cócegas?
fraco.
diga apenas:
precisamos conversar.

1.1.13

Primeira tentativa de poema em 2013 (ou Resposta II)

Eu também só quero ser feliz;
deve ser por isso, amigo e poeta, 
que eu decidi responder-lhe
e abrir-me
ao mundo
ao amor
a mim
neste e nos próximos anos.

29.12.12

Não há tempo melhor do que a madrugada.
É nela que as pessoas se revelam.
É a essa hora que as pessoas decidem brincar de contar verdades a uma roda de amigos na piscina.
"Já sentiu algo por ele?"
"Sim."
"Ainda gosta de mim?"
"Não."
"Tem certeza?"
"Absoluta."
Não se sabe se ele ficou mais surpreso com a primeira ou com a segunda resposta, mas ambos sempre souberam que ela mentiu na terceira pra preservar essa amizade que só durou seis anos porque as duas primeiras perguntas nunca haviam sido feitas antes.