30.11.13

não sei nada do amor,
só da entrega:
derreti-me com o tato:
fiz-me maleável entre seus dedos.

20.11.13

Quarto de hospital

Olha, velho imundo,
e não chores
quando te entupirem de remédios
para que te doa tudo
para que te esqueças
de que a tua verdadeira doença
é a tua memória.
E na dor te lembras.

27.10.13

¿Qué mundo es ese donde las verdades son dichas con risa?
Como faz pra abrandar o coração das pessoas?

8.10.13

o sentido da vida
é explorar
todos os sentidos.

8.9.13

Delícia de viver

é o carro em movimento
e a mão pra fora
tentando segurar o vento.

6.9.13

Permito que me calem e escrevo porque o que penso não interessa a ninguém.

22.8.13

É preciso aprender o que não se ensina.
É preciso presentear a qualquer hora. 
É preciso viajar.
É preciso viver o medo pra gostar,
estar só pra se encontrar,
partir pra querer ficar.

17.8.13

Uma vez, Ele a Ela meio-qerendo-disse:
“Fica comigo depois
que todos se forem?”

Naquele dia,
fitaram como se ninguém mais houvesse
falaram como se ninguém mais ouvisse
ficaram como se ninguém mais soubesse.

24.7.13

voltei a me cortar no teu vento frio
e resolvi que já não resta dúvida:

só a certeza
de querer tudo
ao mesmo tempo
no mesmo tom.

abraço um mar
e choro o outro,
por não poder engolir os dois.

19.6.13

Ranger-se em lágrima

Abro a janela
do meu quarto
e vejo um muro:
deve ser por isso
que ela chora.

18.6.13

Lágrimas e
peito alegre:
o Sol raiou
anunciando que
a rebeldia tem
mil causas:
a revolta contida
não era vã.

Pelo despertar do Brasil em 17.06.2013.
Por todos os que não puderam presenciar.

7.6.13

VI: Como não ser linchado no século XXI.

Pense dez vezes antes de falar.
Fale.
Explique-se e
explique a explicação.
Só não caia em contradição:
eles tão sempre caçando motivo.

31.5.13

Arte se faz vida
neste jogo de encenar,
de criar realidades internas,
de assumir mentiras de verdade pra si.
Ela nunca disse adeus
e mente pra si mesma enquanto corre atrás do tempo.
A cruz que ela carrega
é bem maior que aquela que a persegue.
Olha no olho, mulher!
Cria coragem e olha no olho.
Desengana, que no conto da vida,
o pra sempre
é o fardo da escolha errada.

29.5.13

Ela

Hoje ela me contou tudo.
Confessou que mesmo sem mesa de bar ou abraços compartilhados
me estima, me quer bem, de alguma forma,
e que quase me deixara.

O bem querer é recíproco
O que a gente tem é de pele,
mesmo sem pele
(e abraços ainda serão dados!, falei pra ela).

Prova mais genuína de amor!
Ela não partiu:
ela me contou tudo.

Para Eloá.

Condicional

Sexo,
Poesia,
Melancolia.
É tudo questão de ser.

25.5.13

Reforma Poética

Libertação virou Libertinagem
e agora, saudoso Bandeira,
eu só quero lirismo:
bêbada ou não,
que a poesia esbanje lirismo.

Ao Manuel Bandeira, que era feliz e não sabia.

22.5.13

V: Como viver bem após a morte.

Não ignore nem negue.
Não se lembre só da última vez que o viu.
Não leve flores a quem não sente.
Não tenha razões pra se culpar.

Instante

É na calada da noite
Que ouço o piscar dos meus olhos
Cujas pupilas se dilatam
Para receber a imensidão escura
Acompanhada dos sentimentos mais íntimos
Multiformas do dia, com sabor de frutos amargos
Carregados por vozes
Que podem ser meu Eu
Ou Espírito de Deus
Mas que não deixam dormir.

Escuto o respirar dos que dormem
E os pensamentos dos insones:
Posso sentir suas vozes,
Ouvir o tom amarelado do arrepender-se
Ver o frescor do refazer-se a um novo dia,
E refazer-me com eles
Sob a luz de seus movimentos agüiviventes,
Porque nesse momento minhas reflexões já não bastam.

19.5.13

IV: Como fazer poesia no século XXI

a situação do poeta chegou a tal ponto
que ele escreve pra outros
que escrevem pra ele
que escreve pra outros
que escrevem pra ele
que escreve pra outros...

e o leitor?
cadê?